Bike pelos rios sul-coreanos: uma viagem de quase mil km

artigo publicado em 14/06/2016



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Eu nunca tinha imaginado que poderia pedalar mais de mil quilômetros. Quando fui para a Coreia do Sul, em 2013, meu noivo me perguntou se eu queria comprar uma Mountain bike. Até então, meu percurso máximo tinha sido cerca de 10 km seguidos. Mas foi aí que começou toda a aventura.

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Ansiosa para tirar meu passaporte de bicicleta, eu aderi ao Korea’s 4 Rivers CrossCountry Cycling Road Tour. Esse é um desafio do governo sul-coreano. Com ele, são oferecidas ciclovias em todo o entorno dos quatro grandes rios do país (Han-gang, Geum-gang, Yeongsan-gang e Nakdong-gang).

Missões especiais: O chamado 4Rivers equivale a mais de mil km. E é dividido em oito etapas. Cada vez que um ciclista consegue coletar todos os carimbos daquele desafio, encerra uma missão e pode receber um selo. Após completar o passaporte inteiro, o participante ganha uma medalha e até alguns prêmios.

Todo fim de semana, uma viagem de bike: Eu e meu noivo tínhamos decidido fazer uma viagem por fim de semana. Como ele trabalhava de segunda a sexta, não tínhamos mais do que dois dias para pedalar por aí. Optamos por percorrer um rio por semana. Assim, tínhamos um mês para terminar os mil quilômetros.

Clima de outono contribuiu: A Coreia é um país frio quase o ano todo, menos no verão, quando faz bastante calor, acima de 30ºC. Mas, durante o outono, fica um clima mais ameno. E começamos a fazer nossas viagens de bike em outubro, no início dessa estação. No entanto, quando terminamos, já ficou mais difícil pedalar por causa do inverno que se aproximava.

Primeiro desafio: 40 km de bike

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Meu primeiro trajeto um pouco mais longo foi feito até a barragem de Daecheon. Foram 40 km. Como não estava acostumada, acabei tendo um pouco de febre quando voltei. E é lá que ficava uma das estações do 4Rivers.

Fiquei muito feliz quando tirei meu passaporte de bicicleta, pelo valor de ₩ 4 mil won (≅ US$4 ou R$12). E aquela foi uma preparação para começar a recolher carimbos. Ao longo dos quatro rios, há diversas estações para participar desse torneio.

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Segundo desafio: 198km de bike pelo Geum-gang

A partir dessa primeira experiência, eu já tinha coletado um carimbo. Estava toda empolgada e ansiosa pela próxima parte, que seria terminar essa missão. Como estava morando no centro da Coreia, optamos iniciar pelo Geum-gang no fim de semana seguinte.

E foi uma experiência incrível: conheci vários lugares diferentes, participei de alguns festivais famosos no país, levei três tombos, nos desviamos por 20km do caminho certo. Mas, no fim, deu tudo certo.

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Ciclovia coberta com teto solar: Começamos a viagem pegando uma ciclovia coberta no meio da rodovia. Ela liga a cidade de Daejeon, onde eu estava morando, até Sejong. É outro nível. Ela inclusive funciona com energia solar.

Assim, durante a noite, o caminho fica iluminado. Atualmente, apenas 32 km delas contam com o teto, mas a previsão é que isso seja estendido para 350km. Essa foi a parte com mais infraestrutura da viagem.

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Ataque de cobra: Depois, vieram as ciclovias no meio do mato. E foi aí que a nossa aventura ficou mais emocionante. Enquanto passávamos de bike, uma cobra, escondida na moita, começou a cruzar a ciclovia. Eu gritei para meu noivo, mas ele não ouviu.

Na hora em que ele quase atropelou o réptil, ela deu o bote. Mas, felizmente, nada de mau aconteceu. Foi apenas o susto mesmo. O embate com a cobra foi uma das lembranças mais tensas da viagem. Porém, encontramos outros animais selvagens no caminho.

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Importância de um mapa offline : Como fomos parar em um lugar sem Internet, acabamos perdendo nossa localização no GPS do celular. Mesmo tendo várias setas indicando o caminho a seguir, tinha começado a escurecer e queríamos encontrar uma pousada ou hotel para dormir.

Aí, acabamos seguindo para o lado errado. Percorremos 20km até perceber que estávamos completamente fora da rota. Achamos uma rodovia principal e conseguimos um sinal de Internet. Só então conseguimos retomar o percurso correto. Ufa! Que sufoco.

Terceiro desafio: 210 km de bike pelo Yeongsan-gang

No fim de semana seguinte, nos preparamos para um passeio mais distante. No entanto, como não tínhamos muito tempo para ir até o início desse rio e depois ainda pedalar mais 200 km, pegamos um ônibus até o ponto de partida.

Acompanhar os avanços é animador: Nessa segunda grande viagem, meu recorde de pedalada diária passou de 100km para 148km. Não tive nenhum tombo nem nos perdemos. E perceber essas melhorias é uma das melhores partes de viajar de bike.

Nesse ponto, pedalar grandes distâncias já estava bem mais fácil para mim. Então, não senti dores musculares ou qualquer desconforto. É impressionante como nosso corpo vai se adaptando. E, aos poucos, vamos conseguindo ganhar mais velocidade.

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Encontrando outros ciclistas no caminho: Como é um desafio nacional, uma coisa interessante é o fato de que você consegue se deparar com vários outros ciclistas. Tinha inclusive um grupo de crianças que deviam ter entre 8 e 10 anos. Elas subiam montanhas melhor do que eu. E sem ficar ofegantes!

Perrengues sempre acontecem: Embora tenhamos conhecido lugares lindos, o maior problema que tivemos foi no retorno. Estava acontecendo um Grand Prix de Fórmula 1 justamente na cidade que era nosso destino. Com trens lotados, chegamos em casa quase 2h da manhã depois de esperar na estação por mais de 5h seguidas.

Bike - almoço

Quarto desafio: 304 km de bike pelo Han-gang

Esse rio foi o mais incrível de todos. Era aniversário do meu noivo e ele que escolheu que queria passar o dia pedalando comigo. Na verdade, foi o fim de semana inteiro. Não imaginaria isso antes, mas em um dia, consegui fazer mais de 200km de pedaladas. E tinham muitas subidas.

Mesmo assim, conseguimos completar com sucesso o Han-gang, que é o rio mais famoso, por cortar a capital sul-coreana, Seul. Também passa por Incheon, que é onde fica o aeroporto internacional do país. E o desafio ainda se somou a dois afluentes: o Ara e Namhan-gang. E não é à toa que esses são os queridinhos do pessoal.

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Estrutura de ciclovia impecável: Além de ter as paisagens mais estonteantes, as ciclovias impressionavam por serem bem asfaltadas e sinalizadas. É incrível a diferença em relação aos outros rios. Mesmo que os demais também tenham uma estrutura não tão ruim.

Cidades grandes significam mais gente: Pense ainda em estradas lotadas e várias pessoas pedalando.  Capitais são o fervo! É tanta gente que acaba tendo engarrafamento de bicicleta. Mas, ao mesmo tempo, o perigo acaba sendo maior.

Inclusive, encontramos uma menina que sofreu um acidente sério de bicicleta. A ambulância teve que entrar na parte da ciclovia. E ela tem uma estrutura própria, mais estreita que as pistas comuns. Mas, no fim, deu tudo certo.

Pedalar na chuva é uma aventura: Nesse dia, começou a chover bastante. Meu casaco era impermeável. Mesmo assim, não é nada confortável pedalar todo molhado. Isso se torna um pouco mais perigoso, já que há o risco de não enxergar direito a pista ou derrapar.

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Quinto desafio: 230 km de bike pelo Nakdong-gan

Nosso último desafio foi um pouco mais tenso. Já estava quase começando o inverno na Coreia do Sul. E fomos preparados da mesma forma como fizemos das outras vezes. No entanto, por causa do frio, acabamos demorando muito mais tempo que o esperado para chegar nos lugares.

Sensação de pedalar no frio: Na parte da noite, com temperaturas em torno de 0ºC e tendo apenas um rio como nosso companheiro, imagina como estávamos congelando. Era de doer os ossos. E tínhamos que correr para achar um lugar para ficar.

Certamente, pedalar no frio é pior que debaixo de chuva. Só ficava torcendo para não cair um temporal. Porque só poderia piorar caso tivesse essas duas belezinhas juntas. Aí, seria morte na certa.

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Pronto, depois desses quatro rios, o próximo passo será uma volta completa na ilha de Jeju, que soma mais uns mil quilômetros para a conta. O importante é ir desafiando nossos próprios limites. Até porque viajar de bike é um vício delicioso!

 

 

 



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