8 dias de bike pelo sul do Japão: Desafio de mais de 500 km.

artigo publicado em 21/07/2016



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Já faz dez anos que Jerry Choi realiza viagens constantes de bicicleta.

Esse sul-coreano, que tem hoje 32 anos, se apaixonou pelas pedaladas de longa distância e  já praticamente deu a volta completa em seu país de origem.

Além disso, também se desafiou a conhecer de bike todo o Japão. Decidiu começar pelo arquipélago de Kyushu, que fica na parte sul do país. Juntamente com um amigo, partiu para a aventura.

Jerry Choi em viagem pelo sul do Japão

Fukuoka -> Nagasaki -> Kumamoto -> Yufu -> Beppu -> Fukuoka = 500 km

O roteiro traçado inclui algumas das principais cidades dessa ilha: Fukuoka, Nagasaki, Kumamoto, além de municípios menores como Yufu e Beppu. A ideia era começar por Fukuoka, que tem um dos maiores portos do Japão e há opções de barcos partindo diretamente da Coreia para lá com certa frequência. As passagens são bem em conta. Quando tem promoção, dá para pagar 30 dólares. E o tempo de viagem é de apenas 2h30.

O mapa abaixo mostra o percurso:

De Fukuoka, partiram para Nagasaki, conhecida por ter sido uma das cidades atingidas pela bomba atômica norte-americana na Segunda Guerra Mundial.

Mapa mostra roteiro de viagem pelo sul do Japão

Depois disso, os dois tomaram o rumo de Kumamoto, a cidade considerada pelos japoneses como a origem do urso. Ao leste dessa província está o maior vulcão ativo do Japão, localizado no Monte Aso. E os dois coreanos se desafiaram a subir seus 1,5 mil metros.

Monte Aso foi um dos pontos visitados em viagem pelo sul do Japão

 Depois de descer do Aso, cuja vista é incrível, passaram ainda por Yufu e Beppu, duas províncias menores no Japão. Mas esses lugares têm águas termais famosas no país. São o que os japoneses chamam de onsen.

Mais tempo do que o previsto.

A viagem termina, então, de volta a Fukuoka, onde os dois voltariam para a Coreia de barco, da mesma forma como foram parar no Japão. Assim, esse trajeto de 500 km foi planejado para cerca de seis dias. Mas, por conta do terreno montanhoso, a pedalada durou dois dias a mais.

Incluindo pontos não planejados.

O planejamento original da viagem não incluía Beppu, que fica inclusive um pouco fora da rodovia principal. Eles foram atraídos pelos banhos públicos locais, conhecidos por suas variedades. Há inclusive banho de areia.

Banho de areia faz parte de roteiro de viagem de bike pelo sul do Japão

Sair um pouco do roteiro é ótimo para a viagem, aliás. Mas é sempre importante ter um plano como base. Assim, você saberá como retornar quando necessário e foi exatamente isso que aconteceu. Têm coisas que a gente só se dá conta, depois de cair na estrada.

Companhia foi fundamental para o amigo.

Subir uma montanha de 1,5 mil metros e outras tão grandes quanto essa não é nada fácil. E o amigo de Jerry não estava acostumado com esse tipo de pedalada. Então, Jerry acabou tendo que conectar sua bicicleta ao de seu companheiro para que ele pudesse completar o percurso.

Subida do Monte Aso é extremamente cansativa

Primavera japonesa traz ainda mais beleza aos cenários.

O período escolhido foi no final de maio e início de junho. A primavera ainda exalava o perfume das flores pelas rodovias e estradas no caminho. Essa estação é uma das mais bonitas do Japão. Diversas espécies japonesas fazem sucesso fora do país, como: a cerejeira, por exemplo.

Relevo montanhoso aumentou a dificuldade das pedaladas.

Embora tenham sido cerca de 500km, o arquipélago de Kyushu é conhecido como o mais montanhoso do Japão. E isso dificultou bastante o percurso. As subidas eram muito íngremes, o que exigiu muito mais esforço e determinação dos dois amigos.

Fukuoka – Nagasaki = 160 km

O primeiro trecho da viagem foi percorrido entre a cidade de Fukuoka e Nagasaki. Nesse momento, já dava para sentir que não seria um roteiro fácil. As diversas montanhas no meio do caminho fizeram com que os dois já tivessem uma amostra do que seria o Monte Aso.

A maior subida até então tinha sido o Monte Tara. Mas, ainda assim, seus 990 metros de altura assustaram um pouco de início. E essa distância de 160 km acaba parecendo bem mais extensa quando se tratam de terrenos íngremes.

Infraestrutura impecável de rodovias.

Quando se trata de infraestrutura, o Japão tem uma excelência já conhecida por muita gente e  o que nos  impressionou, foi justamente essa questão das rodovias bem asfaltadas com espaço para que os ciclistas circulem sem perigos.

Caminho para Nagasaki em viagem de bike pelo sul do Japão

Respeito às normas é um exemplo.

A educação japonesa também garante uma segurança maior.

É um país em que raramente se vê gente circulando irregularmente pelo acostamento. A cultura oriental ajuda um pouco, os cidadãos do Japão são realmente bem treinados para respeitar regras e normas.

Modernidade de Nagasaki impressiona.

Já faz mais de 70 anos que Nagasaki foi atingida pela bomba atômica. Mas, se você não souber da história, nem imaginaria isso quando chega a essa cidade. É um lugar incrível, em que tudo está reconstruído. Obviamente, os japoneses mantêm essa parte da história viva na lembrança.

Nagasaki durante a noite em viagem de bike pelo sul do Japão

Para isso, existem diversos pontos que remetem ao fato.

Esse é o caso do Nagasaki Peace Park, do Nagasaki National Peace Memorial Hall for the Atomic Bomb e do Siebold Memorial Museum.

Todos esses três ficam bem próximos ao epicentro onde houve o incidente em 1945.

Nagasaki em viagem de bike pelo sul do Japão

Nagasaki – Kumamoto = 100 km

Essa segunda parte do roteiro foi a mais tranquila de todas. Afinal, a travessia da Baía de Shihamara foi feita de barco. No entanto, não foi tanta moleza assim até a chegada ao porto. No entorno do Monte Unzen, é necessário bastante afinco.

E essa é uma boa oportunidade para dar tudo de si nas pedaladas. Basta pensar que vai ter uma colher de chá na hora de utilizar outro transporte. E são somente 100 km. Isso inclui já o trecho de barco.

Acidente no caminho.

 Apesar de ser um trecho menos complicado, isso não significa que não tenham problemas. Em uma descida, havia uma pedra no caminho. E Jerry acabou levando um tombo feio.

Acidente em Kumamoto em viagem de bike pelo sul do Japão

Importância de kit de primeiros socorros e ferramentas.

Isso mostra que mesmo os mais experientes estão sujeitos a imprevistos. Com a queda, a corrente da bicicleta acabou saindo, o que obrigou uma parada para resolver questões mecânicas.

Portanto, fica a dica: Sempre leve consigo em viagens longas um kit de primeiros socorros, de remendo e algumas ferramentas básicas. É importante entender um pouco de mecânica para essas horas.

Não havia muitos lugares para parar. Caso não soubesse consertar, teria que empurrar a bike por alguns quilômetros até encontrar um posto. Mas isso foi próximo a Kumamoto e já deu para uns ajustes finais na cidade.

Kumamoto em viagem de bike pelo sul do Japão

 

Kumamoto – Yufu = 110 km

“Esse foi o dia mais cansativo, mas com a visão mais linda da minha vida”. Foi assim que Jerry Choi descreveu a viagem entre Kumamoto e Yufu. Esses 110 km seriam bem mais simples se não fosse pelo Monte Aso, o maior vulcão ativo da ilha de Kyushu.

Placa para o Monte Aso em viagem de bike pelo sul do Japão

A rodovia pelo menos colabora, com o bom asfaltamento. Porém, subir 5 km metros dá uma canseira que só quem já passou por isso sabe. E isso levou cerca de 3 horas. Como dito antes, o amigo de Jerry Choi teve que ser carregado nos instantes finais.

Visão incrível é a melhor recompensa.

A paisagem do Monte Aso também foi descrita por Jerry Choi como fascinante. Nas fotos abaixo, dá para perceber um pouco do que ele quis dizer. Não é sempre que a gente consegue chegar perto de um vulcão ativo. E o tempo também deu uma ajudinha.  

Monte Aso em viagem de bike pelo sul do Japão

Descida levou quase uma hora.

Além da vista, a segunda melhor parte foi a descida. Imagina o alívio de descer em alta velocidade sem precisar pedalar durante uma 40 a 50 minutos. O vento batendo no rosto e os cenários correndo pelo seu olhar é algo indescritível.

Monte Aso em viagem de bike pelo sul do Japão

Banhos termais são um incentivo.

Pedalar isso tudo sabendo que te espera um banho termal é o que vai te instigar a dar seu melhor. E imagina o consolo de chegar a Yufu e contar com diversos onsens esperando por você. Faz valer a pena todo o esforço.

Yufu em viagem de bike pelo sul do Japão

Yufu – Beppu = 26 km

A apenas 26 km de Yufu, se encontra Beppu, uma cidade conhecida por seus banhos diversos. O de areia é o mais inusitado. E passar um dia inteiro na cidade foi necessário para recuperar a energia e descansar um pouco e lugar é o que não faltou para isso.

Beppu em viagem de bike pelo sul do Japão

Pense em algo refrescante e revigorador: são os banhos de areia e nas águas quentes de Beppu. Para quem está pensando em fazer esse percurso, Jerry aconselha muito a passagem por Beppu, mesmo que fuja um pouco da rota principal. Definitivamente, é uma recompensa e tanto.

Beppu – Fukuoka = 160 km

O próximo e último passo foi o retorno para Fukuoka. Essa parte ainda tem suas inclinações. Mas para quem passou pelo Monte Aso, acaba sendo bem mais tranquilo. E é bom também aproveitar Fukuoka. A cidade é a maior do arquipélago de Kyushu e uma das mais belas do Japão.

Fukuoka em viagem de bike pelo sul do Japão

Viajar de bike é sempre uma emoção. E foi com esse olhar de alegria e excitação que Jerry contou essa história. Essa foi apenas a primeira parte da viagem. Há ainda outras aventuras por Honshu, a ilha principal do Japão e Okinawa. Mas essas ficam para uma próxima vez.

 



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