Final de semana de bike por 12 cidades coreanas

artigo publicado em 07/07/2016



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Eram 5h da manhã, horário de Seul, capital da Coreia do Sul.

Meu noivo e eu acordamos bem cedo para poder pedalar os 400 km que permeiam o rio Han, o maior do país. Isso seria feito em um sábado e um domingo. Depois de três fins de semana viajando de bike pelos rios coreanos, já estávamos craques com os preparativos.

Pneus cheios e kit de ferramentas e remendo, na bolsa. O kit de primeiros socorros, descobrimos na marra a importância, depois de sofrermos alguns acidentes na nossa primeira viagem. Roupas de ciclista, casacos impermeáveis, frutas e muita água: tudo prontinho. Agora, é hora de colocar o pé na estrada.

Final de semana de bike na Coreia

Primeiro passo: Ônibus até Chungju

Saímos de casa às 7h da manhã. Morávamos em Daejeon, na região sul da Coreia, e estávamos partindo para Chungju, a 1 h de distância de carro. Fomos pedalando até o terminal rodoviário, que fica a uns 20 km de nossa casa.

De lá, pegamos um ônibus de viagem. As bikes cabem na mala do veículo. Dá um trabalhinho para desmontá-la, já que precisa tirar a roda dianteira, mas nada que ocupe muito tempo. Em menos de 10 min, tínhamos embarcado.

Antes das 10 h da manhã, já estávamos em Chungju para começarmos a aventura. Nossa primeira parada seria na barragem da cidade (chamada de Chungju Dam, do inglês mesmo). Então, tínhamos que encontrar o caminho a partir da rodoviária.

Placas azuis apontam a direção.

Com as várias sinalizações do 4Rivers, não foi tão difícil assim acertar para onde iríamos. No entanto, acabamos ficando um pouco confusos. As placas apontavam tanto para o lado de quem vai para a barragem quanto para o de quem está se dirigindo a Seul.

Final de semana de bike - Placa

Acabamos saindo da rota por alguns metros. Mas logo nos demos conta e retornamos ao ponto certo. A gente pegou a ciclovia que fica à beira do rio Han. Mas, na saída da cidade, tivemos que passar por uma estrada de terra, que estava alagada, por causa da chuva.

Mountain Bike segura o tranco.

Fomos assim mesmo. Nós dois estávamos pedalando Mountain Bikes norte-americanas. A minha era uma Jamis e a do meu noivo era uma Gary Fisher, submarca da Trek.

No entanto, nenhuma das duas era 100% de fábrica, porque foi meu noivo quem montou. Ele fez curso de montagem e manutenção de bicicletas. Com isso, costuma comprar as peças e fazer ele mesmo o trabalho.

Segundo passo: Conseguir o primeiro carimbo em Chungju Dam

Nós estávamos fazendo parte do 4Rivers, que é um desafio para coletar carimbos ao longo dos rios coreanos. E aquele, o rio Han, era o mais longo e mais importante da Coreia do Sul. Era uma viagem que estávamos esperando muito, porque ouvíamos muitas histórias interessantes.

Final de semana de bike - Chungju Dam

Subida cansa, mas vale a pena.

Depois de subir cerca de 2 km uma montanha em rodovia bem íngreme, chegamos ao alto da barragem.  A vista de lá é incrível e faz valer todo o esforço. Acabamos passando muito tempo por lá. Além de recuperararmos da subida, também tínhamos que comer algo, já que eram mais de 14:00 h e não tínhamos almoçado.

Final de semana de bike - Chungju Dam 2

Assim, pegamos nosso primeiro carimbo dessa viagem. A cara de sono já demonstra que não estava sendo tão fácil como imaginávamos. Mas, depois de curtir bastante o local, que tem pontos belíssimos para se ver, descemos para completar a viagem. Mas aí já eram 16:00 h.

Final de semana de bike - Chungju Dam carimbo

Atrasos no planejamento.

Com isso, acabamos ultrapassando um pouco o horário planejado. Queríamos pernoitar em Yeoju, a mais de 150 km de onde estávamos, mas sabíamos que, provavelmente não conseguiríamos. De qualquer forma, partimos para completar nosso primeiro dia de viagem.

 

Terceiro passo: Pedalar até encontrar um lugar para dormir

Não gostávamos muito de pedalar depois das 19:00 h. As ciclovias na beira do rio não tinham iluminação alguma. E, além de estarmos sozinhos, alguns caminhos eram meio perigosos. E resgate é difícil de entrar em algumas partes da ciclovia.

Final de semana de bike - Escuro

Animais selvagens são maior problema.

Além das cobras que costumávamos encontrar na ciclovia, também nos deparamos algumas vezes com porcos selvagens. Nesse dia, quando estávamos pedalando já no escuro, de repente, passou um vulto de um bicho enorme na nossa frente. Esse era meu maior medo nessa viagem: animais na pista.

Paisagens rurais: melhor parte de pedalar.

Paramos ainda no caminho algumas vezes para registrar os magníficos cenários do caminho. Não há nada mais lindo. Encontrar mercadinhos do interior, sem luz nem nada, é algo bem interessante na Coreia. Os centros urbanos são tão marcados pela modernidade e esse contraste é algo que vale a pena conferir.

Final de semana de bike - Paisagem

Biketel, hotéis para bicicleta.

Continuamos pedalando pela ciclovia e nos deparamos com um Biketel (foto). Existem vários. A proposta é bem ambiciosa. Como muitos ciclistas costumam fazer esse percurso para conseguir os carimbos, os donos decidiram criar esse espaço adaptado.

Final de semana de bike - Biketel

A diária é bem barata em comparação com os demais hotéis. Com cerca de 10 a 20 dólares, o ciclista pode dormir lá. Costumávamos pagar 30 dólares em pousadas mais baratas pelo caminho. Há espaços para colocar sua bike, para tomar um bom banho e ainda oferecem café da manhã. Maravilha!

Já eram 18h 30 min e estava começando a escurecer. Portanto, decidimos ficar por lá mesmo. Além de precisarmos descansar, queríamos saber como era esse tal de Biketel. E a experiência foi bem positiva. Gostamos bastante.

Quarto passo: Madrugar para mais 300km de pedaladas

Por causa dos atrasos, acabamos ficando com quase 300 km para pedalar no dia seguinte. Eu disse para meu noivo que talvez não seria possível. Mas coreano é cabeça-dura. Ele bateu o pé que finalizaríamos o roteiro e ponto. E foi o que aconteceu.

Saída às 5h da manhã. Acordamos bem cedo, antes das 5h. E já seguimos pela ciclovia antes de o sol nascer. Foi um dos momentos mais assustadores da viagem. Aquela névoa pairando sobre o rio, os sons de sapos e outros animais que você não enxerga direito. Definitivamente, uma aventura e tanto.

Final de semana de bike - Nevoeiro

Plantações de trigo e muita paisagem linda. Aquele já era nosso terceiro rio. Tínhamos viajado de bicicleta nos dois fins de semana anteriores. Mas o visual era um dos mais lindos até o momento. Muita diversidade nas paisagens e as ciclovias eram mais bem sinalizadas e pavimentadas.

Final de semana de bike - trigo

Quanto mais perto chegávamos de Seul, mais percebíamos a melhoria da infraestrutura. Museus e outros locais ligados à arte estavam se tornando comuns ao longo da via. Alguns monumentos eram incríveis. E pareciam que tinham sido feitos especialmente para o ciclistas que ali passavam.

Final de semana de bike - Monumento

Final de semana de bike - Museu

Um pouco de descanso não faz mal. Quando se deseja pedalar 300 km em um dia, as paradas são mais que necessárias. No caminho, tinham algumas espreguiçadeiras para os ciclistas. Essa atenção do governo é incrível. Somos um pouco carentes disso no Brasil. Mas os detalhes acabam fazendo toda a diferença na Coreia.

Final de semana de bike - Espriguiçadeira

Muita gente na pista: Ao nos aproximarmos da capital, também percebemos que a quantidade de pessoas aumentou bastante. As ciclovias ficavam muito cheias e os cuidados tinham que ser redobrados para evitar acidentes. Isso também fez com que nossa velocidade tivesse que ser reduzida. De 20 a 30 km/h passamos para a metade disso.

 

Quinto passo: Chegar a Seul

Ao passarmos essa ponte da foto abaixo, já chegaríamos à região metropolitana de Seul. Mas nossa viagem não acabaria por aí. Ainda tínhamos que ir até Incheon, cidade onde estão localizados os dois principais aeroportos coreanos. E aí seriam mais 80km de pedalada. Ufa!

Final de semana de bike - Ponte

Nesse interim, vimos muita coisa diferente, quase atropelamos e fomos atropelados pelo bando de gente pedalando no caminho. Paramos para almoçar nesse restaurante em forma de trem. Maravilhoso. Ele ficava numa estação desativada, que acabou sendo transformada em passeio público.

Final de semana de bike - trem

Recepcionados por celebridades. Prosseguimos mais um pouco e, finalmente, em torno de 16:00 h, marcamos nossa chegada a Seul. Bem no momento em que estávamos passando, pousou um helicóptero que carregava um grupo de K-Pop (pop coreano) famoso.

Final de semana de bike - helicóptero

Perdida e sozinha. Paramos para descansar e apreciar a paisagem incrível da capital coreana. Mas foi aí que conseguimos atrasar ainda mais a viagem. Meu noivo tinha me dito que na próxima ponte iríamos atravessar.

O problema é que acabei perdendo ele de vista com aquele bando de gente. E também errei qual seria a próxima ponte. Com isso, segui uns 10 km sozinha. Estava perdida, sozinha e sem bateria no celular. Nessa época, não falava coreano direito, apenas meia dúzia de palavras.

Parei um estranho no caminho e tentei explicar a ele em inglês que precisava de um celular para ligar para meu noivo. Ele concordou e, depois de uns 30 min, acabamos nos reencontrando. Mas não foi nada fácil. Nesse momento, já era quase 18:00 h.

Plano de parar por ali. Eu já não aguentava mais pedalar. Tinha chegado ao meu limite. Mas era aniversário do meu noivo. E ele disse que queria chegar até o fim de qualquer jeito. Seria meu presente para ele. Então, concordei em pedalar mais esses 80 km, mesmo já estando escuro. A foto abaixo mostra a Casa Branca ao fundo.

Final de semana de bike - Casa Branca

 

Sexto passo: Completar a missão

Então, fomos pedalando o mais rápido que pudemos por esse caminho. Fizemos esse percurso em 3 h. Isso significa que pedalamos cerca de 20 a 30 km/h. Já não estava tão escuro quanto nas demais ciclovias até lá. O caminho era todo iluminado, principalmente porque havia muitos ciclistas.

Final de semana de bike - Último carimbo

E, finalmente, depois de dois dias intensos de pedaladas, chegamos ao destino final. Só nesse segundo dia, foram 16 h em cima da bicicleta. Estávamos exaustos. Até demais. Mas o sentimento de dever cumprido era maior. A partir daí, ficam apenas as boas lembranças e muitas histórias para contar.

Final de semana de bike - chegada



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