Percorrendo a Islândia - parte 1

artigo publicado em 14/10/2016



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Nesse artigo vou contar a grande e tão sonhada viagem para a Islândia que Ricardo e eu fizemos em julho de 2016. Informações e dicas de planejamento estarão no final do artigo.

Nosso roteiro seguiu o chamado Ring Road, que é a estrada número 1 da Islândia que percorre toda a ilha, ou pelo menos, grande parte dela. Saímos de Reykjavik no sentido anti-horário:

 

08/07: a chegada

Chegamos na capital da Islândia, Reykjavik, num voo da Wow Air saindo de Amsterdam. São 3 horas de voo e é uma companhia aérea da Islândia que tem todas as características de low cost. O preço da passagem é um pouco abaixo da média, mas todo extra é pago, desde o despacho da bagagem até um copo de água durante o voo. Poltronas super desconfortáveis, zero entretenimento a bordo, e quem não leva blusa passa frio. Até se quiser marcar o assento com antecedência, paga 6 euros (é mole?). Como era horário de almoço, gastei uns 15 euros num lanchinho e um refrigerante.

Perto de pousar, as imagens das montanhas com neve em cima já começam a dar emoção. No aeroporto, como alugamos um carro, encontramos um funcionário da Hasso com uma plaquinha nos esperando. Saindo do aeroporto junto com ele, nos deparamos com um dia bonito e ensolarado de verão. Um “calor” de 13 graus no meio da tarde (muito difícil ficar mais quente que isso; ou seja, o verão da Islândia é mais frio que o inverno de São Paulo). Chegamos na locadora para pegar nosso carro, um Peugeot, e nesse momento, já sentimos que estávamos num lugar bem remoto e pequeno: só tinha 2 funcionários na locadora e mais nenhum cliente, ou seja, atendimento exclusivo, com direito até a cafezinho. Escolhemos um carro com GPS e foi fácil de usar para chegar no nosso hotel, o Reykjavik Lights. Só por esse trajeto já deu pra perceber como é fácil dirigir na Islândia. Tudo muito bem sinalizado e todo mundo anda bem devagar, respeita os pedestres e dá espaço quando dá a seta. Coisa bem de primeiro mundo.

Já era final de tarde e saímos a pé para conhecer a rua mais comercial e turística, a Laugavegur. Muitas lojas de presentes, de artesanato, mas o que mais vê mesmo pra vender é blusa de lã (fato explicado pela quantidade de ovelhas que vimos na estrada nos dias seguintes).

 

Depois de olhar algumas lojas e tirar fotos dos enfeites da rua, fomos procurar um lugar pra jantar. Tarefa difícil. Todos restaurantes muito caros. Fazendo a conversão, lanches eram em média 20 dólares, e pratos de comida (maioria peixes ou carne de cordeiro) por volta de 30. Nesse dia, acabamos optando por um hambúrguer mesmo, para poder abusar um pouco mais no dia seguinte, que era meu aniversário. Saindo do jantar, fomos andar na orla onde tem um monumento lindo:

 

 

Sim, já era umas 22h e o céu ainda estava claro. Como é uma região perto do círculo polar ártico, no verão os dias são longos e nesse período simplesmente não escurece. Inclusive esse foi um dos motivos de termos escolhido o mês de julho para essa viagem. É uma sensação bem diferente e meio louca. A gente fica meio sem saber se já está na hora de jantar ou de dormir. Ao chegar no quarto do hotel, um pequeno problema: o quarto não fica escuro, mesmo com a cortina fechada. Achei muito interessante como esse fator influencia nosso organismo. Mesmo sendo tarde da noite, com o fato de ainda estar claro, não sentia muito sono.

09/07: Reykjavik

Acordei umas 4 horas e a claridade estava igualzinha. Então, umas 6:30, acordei de novo e não dormi mais (geralmente, em lugares que anoitece normalmente, eu preciso de despertador, mas lá foi desnecessário). No hotel, um café da manhã bem gostoso, parecido com outros lugares da Europa (croissant, pães, ovos e pouca opção de fruta). Só senti falta de leite com chocolate, que não encontrei em nenhuma cidade da Islândia.

Nesse dia a primeira parada foi a famosa igreja Hallgrimskirkja. Uma obra de arquitetura magnífica. Encontramos facilmente um lugar para estacionar e tiramos muitas fotos dentro e fora da igreja:

 

 

Uma coisa engraçada na hora de pedir informação para alguém é que não tem como saber como pronunciar esses nomes estranhos. O que eu fazia era andar com o mapa ou o roteiro de viagem e perguntava: “Onde fica esse lugar aqui?”, e apontava com o dedo... rs.

Na igreja também tem uma torre onde se pode subir e ver a vista de toda a cidade. Para ter acesso à torre, é cobrado um valor perto de 8 dólares, e o controle era no estilo europeu: vc compra o ticket na lojinha e sobe, mas se algum brasileiro resolver subir sem pagar, ninguém percebe. Do topo, vemos a cidade inteira com suas casinhas de tetos coloridos.

 

De lá, continuamos caminhando pela rua Laugavegur até chegarmos num parque com um lago muito bonito. Um gramado sem um lixo sequer e uma pista de corrida:

 

Em seguida, passamos pela Harpa Concert Hall, um prédio público onde promovem concertos e outros eventos. Um lugar enorme e, de novo, uma arquitetura de cair o queixo. É de adimirar como é possível um espaço público, que não cobra para entrar, ser tão conservado e limpo:

 

Aqui um exemplo de almoço: uma sopa de peixe (bem gostosa por sinal) e um suco. Preço equivalente a 25 dólares:

 

 

Seguindo as atrações que o mapa mostrava, fomos onde indicava “Praia”, que nada mais é do que uma faixa de areia na margem de um lago. Chegando lá, ao estacionar, vimos algumas placas indicando “Swimming pool” e nesse momento descobrimos o que é uma piscina pública da Islândia:

 

 

Pois é, na Islândia não existe clube e ninguém tem piscina em casa. As piscinas (aquecidas, obviamente) são públicas, e a diversão das pessoas é juntar um grupo de amigos e passar a tarde na piscina ouvindo música e praticando esportes ao ar livre. Detalhe: eu e Ricardo de calça, blusa e gorro enquanto o pessoal jogava bola de shorts na areia.

Obs: essa não é ainda a piscina de águas geotermais.

No final da tarde, passamos por mais um prédio público muito bonito, com muitas obras de arte chamado Perlan.

Para o meu jantar de aniversário, fomos num pub chamado Gastropub Public House. O lugar é bem pequenininho, com música muito boa e já começamos a noite (que é dia) tomando cervejas vikings deliciosas. Sentamos ao lado de duas senhoras islandesas muito simpáticas que nos deram várias dicas para a nossa viagem em volta da ilha. Demos muita risada com elas, principalmente quando elas falavam o nome do vulcão que entrou em erupção em 2010 e que bloqueou o espaço aéreo da Europa (fato, inclusive, que começou a despertar meu interesse pela Islândia): Eyjafjallajökull. Um nome simplesmente impossível de pronunciar. Só quem nasceu na Islândia mesmo. Elas contaram que os jornalistas americanos chamam ele de “E-fifteen”, pois é a letra E seguida de 15 letras.

Nesse pub eu até levei um susto quando a garçonete trouxe a primeira cerveja, pois eu jurava que era a Daerenys, do Game of Thrones. Conversando com as senhoras, elas me disseram que ela até apareceu em um jornal local, de tão parecida que é... e realmente é muito igual. Para algumas pessoas, depois da viagem, eu mostrei a foto, e pensaram que fosse uma estátua de cera:

 

 

Saindo desse pub, ainda passamos em outro que tinha mais cara de balada, para tomar mais algumas cervejas vikings, que são muito gostosas. Muito engraçado estar em uma balada, com DJ tocando e olhar pela janela e ver a noite clara.

 

 

10/07:  dia do Golden Circle.

Esse passeio é chamado de Golden Circle e engloba 3 grandes atrações perto de Reykjavik: o parque Thingvellir, o Geiser e a cachoeira Gulfoss. No mapa ele faz mais ou menos um círculo, mas nós alteramos porque saindo da última atração ainda passamos na piscina geotermal e, de lá, seguimos para Vik, a próxima cidade.

A primeira parada foi o parque Thingvellir. É o lugar onde as placas tectônicas da América e da Europa se encontrarm, e é possível andar no meio delas. Também é onde se situava o antigo parlamento da Islândia, e lá eles faziam reuniões políticas. No parque, muitas placas explicando a história do lugar e, lógico, muita beleza natural:

 

 

A segunda parada foi o geiser. Algo bem diferente de tudo o que já tinha visto: ele explode a cada mais ou menos 5 minutos, e a água deve chegar a uns 20 metros de altura. Dentro dele, é possível ver a água borbulhando só esperando para ser expelida, quando, de repente:

 

 

Ao lado do maior, alguns menores com água borbulhando:

 

 

A terceira parada foi a primeira de muitas cachoeiras que vimos, Gulfoss. Dizem que ela fica totalmente congelada no inverno, e deve ser uma beleza espetacular também:

 

 

A continuação do Golden Circle e os outros dias estão no artigo “Percorrendo a Islândia – parte 2”

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Flavio Spina

flavio_spina@yahoo.com.br

https://www.facebook.com/flavio.spina.7



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