De Alagoas ao Rio Grande do Sul – o medo virou empolgação! (Parte 1)

artigo publicado em 10/11/2016



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Pensar na ideia de cruzar o Brasil de Alagoas ao Rio Grande do Sul dava um pouco de receio a princípio; tenho que reconhecer isso. Mas a viagem que eu e minha esposa fizemos há uns 2 meses atrás nos deu muita satisfação!

Os lugares que passamos, o trecho que escolhemos, as paisagens que vimos, tudo isso tornou agradável o nosso retorno ao Rio Grande do Sul. O medo foi substituído por uma vontade muito grande de viajar mais de carro no futuro. Você deve estar se perguntando: Como uma viagem tão longa pode ter sido tão agradável? Vou explicar melhor...

 

Retorno aos pampas

Depois de 13 anos morando fora do Rio Grande do Sul, 7 destes casado com minha amada ‘prenda’, decidimos retornar. A viagem foi uma das preocupações desde que tomamos a decisão. A cidade de Craíbas, onde moramos por cerca de 1 ano, fica a 20 minutos de carro de Arapiraca, ambas cidades localizadas no interior do estado de Alagoas.

Um retorno aos pampas levaria, segundo o Google Maps, aproximadamente 44 horas, caso o trecho fosse percorrido sem paradas. Porém, só eu dirijo, e decidimos viajar um pouco a cada dia, parando na casa de alguns amigos. Então, começamos a pensar em que cidades seria melhor parar, para que a viagem fosse apenas de uns 700 km a cada dia.

Entrei em contato com alguns amigos, pedindo informações sobre possíveis trechos a percorrer. A primeira grande questão foi: BR-116 ou BR-101? Acho que essa é uma preocupação de quem desce do Nordeste para o Sudeste ou o Sul do Brasil. Telefonei para um amigo caminhoneiro que mora em Salto Veloso, SC. Ele trabalha há décadas na estrada, e me disse com convicção: “Líferson, a 116 vai te levar a Porto Alegre com maior segurança”. Perguntei o motivo de tanta certeza, e ele explicou que essa estrada e suas ‘parceiras’, como a Fernão Dias, tinha asfalto de qualidade, várias cidades grandes e pedágio. “Tem muito pedágio nesse trecho?”, perguntei. A resposta foi: “Tem sim, mas pense nos benefícios disso: guincho, ambulância (se um de nós passasse mal) e uma estrada melhor”. Na hora nem pensei muito nesses benefícios; só na estrada fui lembrar das palavras dele. E no final do artigo, você vai entender porque essa escolha chega a ser bem econômica em termos de pedágio.

Perguntei sobre a BR-101, e a resposta do meu amigo foi: “Bem, é uma opção usada por muita gente que quer passear. Mas tem trechos bem perigosos perto do litoral, onde às vezes você percorre distâncias muito longas entre cidades pequenas”. Ele mencionou o sul da Bahia, onde há trechos em que de vem em quando se pode ver alguns carros parados na beira da estrada sem as rodas. Comecei a pensar: “Só nós dois no carro... Não vai dar certo essa ideia de 101!” Avaliei com minha esposa o que vários amigos nos disseram com bastante calma, e decidimos: a maior parte do trecho que faríamos seria pela BR-116!

E assim foi! Definimos nossas paradas: Jequié, BA; Itambacuri, MG; Carmo da Cachoeira, MG; Curitiba, PR; e, por fim, nossa cidade: Gravataí, RS. A média de trecho percorrido por dia foi a que já mencionei, de mais ou menos 600 a 700 km por dia. Gostaria de saber como foi nossa viagem? Quer dicas sobre os melhores trechos e os piores? Então, viaje com a gente!

 

1º DIA – 746 km

 

  • Alagoas (AL-110 e BR-101)

Nossa viagem começou na quinta-feira, 29/9/16, às 5h45. O aperto no peito e as lágrimas ao nos despedirmos de nossos grandes amigos foi inevitável. Afinal de contas, convivemos quase um ano com eles, e foi maravilhoso o período em que compartilhamos nossas vidas juntos! Depois de dar uma boa revisão no nosso Corsa Hatch 1.0, era hora de partir! Sair do Estado de Alagoas não demorou. De Craíbas a Arapiraca, a estrada já esteve um pouco melhor a alguns meses, mas agora os grandes buracos são bem evidentes. Já a AL-110, que leva de Arapiraca ao município de São Sebastião, é um ‘tapete’ na maioria do trajeto. Logo entramos na BR-101, duplicada em quase todo o trajeto até o Sergipe. Ainda de manhã cedo, atravessamos a divisa entre os Estados de Alagoas e de Sergipe na cidade de Propriá, SE, apreciando a bela vista do Rio São Francisco!

Alguns municípios que atravessamos na viagem através de Alagoas foram: Craíbas, Arapiraca, São Sebastião e Igreja Nova.

 

  • Sergipe (BR-101)

A rodovia BR-101 dentro do Estado de Sergipe tem vários trechos com pista única e de má qualidade. Posso dizer que, infelizmente, esse foi o trajeto da viagem que mais tive de ter cuidado ao dirigir. O que mais incomodou foram as partes em que o asfalto sofreu desgaste de tantos veículos pesados. O mais curioso é que não há muitos buracos no Sergipe, mas sim acúmulo de asfalto no meio da pista. Não estou maluco não! Em alguns pontos, o asfalto parece ter derretido e acumulado como uma onda no meio da pista, o que acarretou o perigo de que essas “ondas de pista” batessem embaixo do carro se eu não desviasse. Mas esse pequeno desconforto se concentra apenas entre Propriá e Estância. No restante do trajeto até a entrada da Bahia, há apenas uns desvios entre pista única e duplicada, mas nada que tenha causado transtornos.

Alguns municípios que atravessamos na viagem através de Alagoas foram: Propriá, Muribeca, Japaratuba, Carmópolis, Maruim, Laranjeiras, Nossa Senhora do Socorro, Itaporanga D’Ajuda, Estância, Umbaúba e Cristinápolis.

 

  • Bahia (BR-101, BR-324 e BR-116)

Posso dizer que as próximas cidades que passamos tinham um visual muito legal! As montanhas do norte da Bahia são lindas! A serra que inclui a cidade de Milagres é fantástica, com pedras salientes na vegetação quase nula nos dois lados da pista. Nesse ponto, a gente percebeu claramente que os diversos biomas do Brasil tornam nosso país um depósito fotográfico de incríveis tipos de paisagens. É como se viajássemos para outro país ou continente! As imagens que registramos, descendo em direção ao sul do país, comprovam isso.

Até chegar em Jequié o trecho foi excelente, sem maiores preocupações. Para quem está se perguntando sobre ultrapassar caminhões, aqui vai um recado: isso não representa um grande problema depois de Sergipe. A BR-116 nos presenteia com a “3ª pista de subida”. Em mais de 80% dos trajetos de subida, uma pista adicional se forma ao lado, a fim de que seja possível ultrapassar caminhões e outros veículos pesados. Quanto a isso, fique absolutamente tranquilo!

Detalhe importante: para pegar a BR-116, foi necessário sair da BR-101, em Conceição do Jacuípe, BA, em sentido à Feira de Santana através da BR-324.

Alguns municípios da Bahia que atravessamos no primeiro dia foram: Jandaíra, Esplanada, Lagoa Redonda, Entre Rios, Sítio do Meio, Alagoinhas, Pedrão, Conceição do Jacuípe, Humildes, Feira de Santana, Santo Estevão, Paraguassu, Argoim, Itatim, Jaguaquara, Baixão e Jequié.

 

2º DIA – 575 km

 

  • Bahia (BR-116)

A parte de viagem onde mais encontramos seca no caminho foi essa. Partindo de Jequié na sexta-feira cedo, fomos rumo ao Norte de Minas Gerais. Há uma serra na divisa dos Estados da Bahia e de Minas, o que assustou a princípio. Mas, como eu já mencionei antes, a estrada ajuda muito. Há alguns buracos no trecho, mas se você dirigir com prudência, respeitando os alertas de curvas acentuadas, não terá maiores problemas. Ah! Sempre permaneça na BR-116!

Uma boa pedida é aproveitar os postos de gasolina mais estruturados para manter o tanque de combustível sempre cheio e os pneus calibrados; pois aqui você vai achar as cidades mais distantes entre si. Curta algumas paisagens, que apesar de não terem muito ‘verde’, são únicas e deixarão boas lembranças da sua viagem!

Aqui estão alguns municípios da Bahia que atravessamos no segundo dia: Jequié, Imbuíra, Poções, Planalto, Tapirama, Vitória da Conquista e Cândido Sales.

 

  • Minas Gerais (BR-116 e BR-342)

A BR-116 no norte de Minas Gerais começou aos poucos a nos apresentar o verde da região. Mesmo com a seca devido à falta de boas chuvas que, segundo os moradores, se estende por mais de 4 anos, a vegetação apresenta paisagens diferenciadas.

Nosso segundo dia de viagem foi o mais curto. Saímos de Jequié às 6h45 e chegamos em Itambacuri por volta das 16h. Foi um trecho muito confortável de percorrer, terminando com uma excelente companhia de nossos amigos e uma deliciosa janta mineira. Tudo de bom!

Esta é a relação de alguns municípios do norte de Minas Gerais que atravessamos na parte final do nosso segundo dia de viagem: Divisa Alegre, Águas Altas, Medina, Itaobim, Ponto dos Volantes, Padre Paraíso, Catuji, Teóflio Otoni e Itambacuri.

 

3º DIA – 681 km

 

  • Minas Gerais (BR-116, BR-451, BR-120, MG-434 e BR-381)

O terceiro de viagem representava um desafio: cortar quase que completamente um dos mais extensos estados do território nacional: Minas Gerais. Nosso plano estava bem traçado e não queríamos mudar por nada. Tínhamos certa necessidade em chegar o mais breve possível no RS. Então, como na maioria das nossas 4 paradas, acordamos às 5h da manhã e partimos rumo ao sul de Minas no sábado de manhã cedo (1/10).

Passamos por diversas cidades e, nesse ponto do roteiro, os territórios dos municípios diminuem de tamanho, permitindo-nos atravessar mais deles no mesmo dia. Aquela sensação de que não teríamos a quem recorrer caso um pneu furasse, ou algo assim, foi sumindo gradativamente. O receio foi sendo substituído cada vez mais pela satisfação em percorrer grandes trechos de carro. E conseguimos, apesar da pouca experiência com viagens distantes! Claro – não atravessamos um Amazonas ou um Pará, gigantescos! Mas cruzar Minas Gerais com segurança já deu uma grande alegria: cumprimos 60% de nosso roteiro planejado!

Nesse ponto da viagem, a sensação de curtir a viagem como um grande passeio se concretizou. A cada cidade mineira que eu e minha esposa cruzávamos, lembranças dos 4 anos em que moramos no sul de Minas vinham à mente e traziam uma saudosa emoção. “Oh Minas Gerais!”

Findamos o dia cedo, próximo das 17h, chegando em Carmo da Cachoeira. Um detalhe valioso: a Fernão Dias (BR-381) foi uma das rodovias mais agradáveis de percorrer em toda a viagem de AL até o RS! Nunca esqueceremos das graciosas montanhas da região, repletas de enormes eucaliptos nos 2 lados da estrada!

No terceiro dia de viagem, não foram poucos os municípios mineiros que atravessamos: Campanário, Chonin de Baixo, Governador Valadares, Baguari, Pedra Corrida, Periquito, Naque, Perpétuo Socorro, Coronel Fabriciano, Jaguaraçu, Antônio Dias, Nova Era, Itabira, Bom Jesus do Amparo, Nova União, Roças Novas, Belo Horizonte, Contagem, Betim, Igarapé, Itatiaiuçu, Porteira, Itaguara, Sapecado, Carmópolis de Minas, Oliveira, Santo Antônio do Amparo, Perdões, Engenho de Serra e Carmo da Cachoeira.

 

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