Percorrendo a Islândia - parte 3

artigo publicado em 06/11/2016



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Essa é a terceira parte do artigo "Percorrendo a Islândia".

O artigo anterior terminou com nossa chegada à região vulcânica, perto do lago Myvatn. Mais uma vez, tive a sensação de ver ou sentir algo que não senti em nenhum outro lugar que eu já viajei: estar de cara com as fumacinhas saindo das formações vulcânicas:

Nessa região, predomina o cheiro de ovo cozido, e demora um pouco para acostumar.

Nesse lugar caminhamos bastante sobre as formações rochosas que sofreram com a atividade vulcânica. As pedras são todas pretas e porosas.

É claro que com tanta energia em potencial, foi construída uma usina geotermal:

Mais um fato interessante: na Islândia, mais de 90% das casas tem água quente natural. O único detalhe é que a água tem um cheiro forte de enxofre. Quando abrimos a torneira ou o chuveiro, é possível sentir. Mas dizem que é a água mais limpa do planeta.

Nesse dia, nossa hospedagem era na cidade de Storutjanir, novamente no hotel de rede Edda. Como eu tinha estudado bem o mapa antes de ir, já sabia que ele estava perto da estrada 1, porém, a cidade não aparecia no GPS. Com medo de não achar, perguntamos para um senhorzinho num posto e ele disse: “Don´t trust GPS. GPS is stupid!” e falou que estávamos no caminho certo e dava pra ver o hotel da estrada. Chegamos sem nenhuma dificuldade.

O hotel na verdade é uma escola que funciona como hotel somente no verão. Dá pra conhecer as salas de aula, a quadra esportiva, e até as fotos de todos os alunos em um mural. Fiquei imaginando como seria a vida escolar em um lugar tão remoto...

Nesse dia, jantamos no hotel e saímos para conhecer a cachoeira Godafoss depois das 22h. Afinal, estando claro, dá pra conhecer belezas naturais até de madrugada:

Essa cachoeira tem esse nome “Cachoeira dos Deuses” porque há algum tempo atrás, um legislador, com o apoio do povo definiram que a religião oficial da Islândia seria o cristianismo e, para simbolizar a decisão, as estátuas dos deuses da religião antiga (que era alguma religião do povo escandinavo) foram jogadas nessa cachoeira.

13/07: do nordeste para o noroeste

Nesse dia, passamos a manhã vendo mais atrações do lago Myvatn. Vimos mais alguns vulcões e uns parques com muita flora e fauna:

Muita fauna meeesmo, pois a quantidade de mosquitos nesse lugar é de matar...

Em seguida, fomos à Akureyri, capital do norte e a segunda maior cidade da Islândia, com 18 mil habitantes (só para comparação, o bairro de Moema, em São Paulo, tem 83 mil)

Sei que vai parecer repetitivo, mas Akureyri é mais uma cidade super charmosa e de lá saem cruzeiros e navios para os países escandinavos:

Se pudesse refazer o roteiro, incluiria uma noite nessa cidade para aproveitar melhor as ruas cheias de lojinhas e bares.

Seguindo o roteiro, em vez de continuar na estrada 1, pegamos sem querer uma outra estrada que foi margeando a costa e, como esse foi o primeiro dia que fez bastante sol, as imagens ficaram ainda mais bonitas. Em alguns pontos, ficava parecido com a Highway 1 na California:

Para chegar ao próximo destino, Saudakrokur, a mesma preocupação: falta de endereço. Nesse lugar, também alugamos casa pelo Airbnb e a orientação do proprietário foi simplesmente: “Pegue a estrada 75 e dirija por 12 km e você vai ver uma casa amarela à esquerda.” Por incrível que pareça, achamos a casa sem nenhuma dificuldade. Ela não era tão bonita quanto a que alugamos em Vik, mas conseguimos ver algo que não foi possível em nenhum outro lugar: o pôr do sol, as 23:40:

Nessa casa, não conhecemos o proprietário. Quem nos recebeu foi um rapaz da Bélgica que estava trabalhando para ele no verão. Achei interessante quando eu perguntei sobre a chave da casa e ele respondeu: “Hum... eu nem sei onde o proprietário guarda a chave... aqui na Islândia, ninguém tranca as portas”

14/07: de volta a Reykjavik.

Esse trecho da estrada é o que tem menos atrações. Uma delas foram as casinhas com teto de grama:

Nessa foto, dá pra ver o risco de nuvem no céu e depois disso aprendi que nessa região, é possível ver muitos. Parece que eles se formam quando o avião passa por uma região com um intervalo de temperatura e pressão definidos, e os cristais de gelo formam uma fileira de nuvem que embeleza o céu. No Brasil é mais difícil ver por causa das altas temperaturas.

Em seguida passamos por uma cratera vulcânica chamada Grabok:

Depois, antes de chegar de volta em Reykjavik, passamos por Borgarnes, que tem o museu de história da Islândia chamado Settlement Center. Nele, aprendemos a história dos vikings e algumas sagas nórdicas. Por causa dele, comecei a assistir a série Vikings.

De volta a Reykjavik, passamos novamente pela rua Laugavegur para comprar lembrancinhas de viagem e a noite, comemos cachorro quente numa barraca chamada Bæjarins Beztu Pylsur. Esse foi eleito o melhor cachorro quente do mundo graças a uma visita que o Bill Clinton fez à Islândia e disse que foi o único cachorro quente melhor que o norte americano que ele comeu. Não sei se concordo que é o melhor do mundo, mas foi gostoso.

Mais para o final da noite, passamos por outro pub para tomar as últimas cervejas vikings. Nesse pub, foi interessante conversar com um rapaz sobre esportes. Falamos que éramos brasileiros e ele disse que gostava muito do nosso futebol. Então, comecei a me perguntar se a Islândia tinha tradição em algum esporte e perguntei a ele. A resposta foi: “Sim, no futebol. Você não viu como foi a Eurocopa?”  Achei engraçado, pois a Eurocopa de 2016 foi o maior orgulho da Islândia porque eles conseguiram chegar às quartas de final e, até então, algumas pessoas nem sabiam que existia uma seleção de futebol. Mas entre isso e dizer que o país tem tradição no futebol e que é o esporte em que eles são melhores, tem uma grande diferença... rs

15/07: dia de ir embora

Nesse dia, tínhamos que entregar o carro e seguir para o aeroporto. A programação original era passar pela Blue Lagoon, aquela famosa piscina de água geotermal que sempre aparece nos programas sobre a Islândia e que nos recomendaram substituir pela Secret Lagoon. Mesmo já tendo aproveitado a Secret Lagoon, fomos com a intenção de passar algumas horas na piscina, sim. Porém, ao chegar, a decepção: como era alta temporada, tinha que ter reservado antes, e não tinha nenhum horário disponível naquele dia. O próximo disponível era as 21h, horário que já estaríamos em Copenhagen, e custaria 60 euros. Então só tiramos algumas fotos e ficamos na vontade.

Entregamos o carro e, no aeroporto, por incrível que pareça, tive uma das melhores refeições da viagem. Um sanduiche de salmão defumado com mostarda e ovo cozido, delicioso. Até fiz em casa alguns dias depois... rs

Pegamos um voo da IcelandAir para Copenhagen, uma companhia aérea bem melhor que a Wow, que usamos na ida. Poltronas melhores, entretenimento a bordo, alimentação paga, mas pelo menos água e café gratuitos. E o melhor: uma manta bem quentinha e grossa que eu uso até hoje no sofá de casa... rs

Dicas em geral:

Quando ir: imagino que Islândia no verão e Islândia no inverno são viagens totalmente diferentes. Escolhemos o verão porque, além de encaixar no nosso calendário de férias, queria muito ver o sol da meia noite. É a época mais cheia de turistas, mas não chega nem perto dos lugares muvucados do Brasil (como praia no final do ano). Também é a melhor época para pegar estrada, pois com neve, imagino que dirigir fica mais difícil. Além disso, o fato de nunca escurecer deixa o organismo muito mais disposto para fazer tantas atividades. Imagino que o inverno seja uma viagem linda, mas com um grande porém: alguns dias entre dezembro e janeiro chega a ter apenas 4 horas de claridade durante o dia; isso com certeza deixa o clima um pouco mais triste e impossibilita de visitar muitas coisas. No verão, a única desvantagem é não poder ver a aurora boreal.

Quantos dias: nós ficamos 7 noites, o que eu considerei quantidade suficiente para conhecer os melhores lugares. Algumas agências de viagem possuem roteiros que passam só pela capital, que não deixa de ser uma viagem muito legal, mas eu penso que o charme do interior e das cidadezinhas em torno da Ring Road são um espetáculo a parte. Também penso que, já que é para ir para um lugar tão longe, o melhor é aproveitar o máximo possível. É possível até esticar um pouco mais e ir para os fiordes do oeste ou também pegar um 4X4 e enfrentar as estradas que passam pelo meio da ilha para ter uma experiência mais selvagem.

Como chegar: não existe voo direto do Brasil e nenhuma companhia aérea que opera no Brasil tem code-share com as da Islândia. Nós fomos com a Wow saindo de Amsterdam e voltamos com a Icelandair indo para Copenhagen. Essa foi a melhor combinação de preço, mas se eu soubesse que a Wow era tão ruim e o típico “barato que sai caro”, teria voado só de Icelandair. Brasileiros não precisam de visto.

Hospedagem: na capital, existem hospedagem para todos os bolsos. Desde albergues até hotéis mais caros, mas acho que não vi nenhum hotel de luxo. No interior tem poucas opções, por isso, variamos entre a rede de hotéis Edda e casas no Airbnb. De qualquer forma, todas as opções são, em média, 40% mais caras que outros lugares da Europa.

Câmbio: a moeda oficial é a coroa islandesa e não existe casa de câmbio na Islândia. Para trocar dinheiro (euro ou dólar), só no banco. Se o banco estiver fechado (no nosso caso, chegamos sexta no final da tarde), só em hotéis, e mesmo assim é difícil, pois alguns não tem muito dinheiro no caixa. Nós tivemos que trocar um pouco no hotel e um pouco num posto de atendimento ao turista. Mas de qualquer forma, todo lugar aceita cartão de crédito.

Aluguel do carro: conseguimos o melhor preço numa locadora local chamada Hasso, mas também é possível com outras locadoras mais conhecidas. Foi quase o dobro do valor que pagamos na California. Um fator que encarece é o seguro contra riscos causados por cinzas vulcânicas. Apesar de não ter acontecido nada, em muitos lugares que li antes, diziam que é importante contratar esse seguro, pois o risco, apesar de pequeno existe. Achei interessante o valor do risco contra roubo, que era algo em torno de 10 dólares por dia. Simplesmente, não existe “roubar carro” na Islândia. Para dirigir é super tranquilo. Na cidade, o limite é 50km/h e nas estradas, 90km/h. Notei que tanto o agente da locadora quanto as senhoras com quem conversamos no pub insistiram muito para não passarmos do limite de velocidade em nenhum momento. Imagino que a multa deve ser bem salgada. Só a CNH brasileira e um cartão de crédito são suficientes para alugar o carro. Eu fiz a PID (Permissão internacional para dirigir), mas nem me pediram.

Segurança: em qualquer lugar, dá pra se sentir 100% seguro. Praticamente não existe roubo ou crime na Islândia. O povo é muito tranquilo. No trânsito, todo mundo anda devagar e respeita os pedestres. Eu tinha a impressão que se eu quisesse fazer um piquenique no meio de uma avenida, os carros iam desviar e ninguém ia reclamar. Todo mundo é muito atencioso para dar informação.

Idioma: a língua oficial é o islandês, mas todo mundo fala inglês. Eles dizem que desde pequenos aprendem, pois a maioria dos programas de televisão são em inglês. O rapaz que nos atendeu na locadora de carro era espanhol e disse que estava morando lá há 4 anos. Perguntei se ele tinha aprendido o islandês e ele respondeu: “Ah, no começo eu até estudei um pouco, mas depois desisti, pois todo mundo aqui fala inglês.”

Passeios: o único passeio que reservei com antecedência foi a caminhada na geleira. Todos os outros são gratuitos, com exceção da Secret Lagoon. Também não precisa pagar para estacionar em lugar nenhum.

Alimentação: todo restaurante tem sopa de peixe (com o frio, achei uma opção bem legal). Muitas opções fast food estilo norte americanas, mas a maioria dos hamburgeres são de cordeiro. É meio raro encontrar carne de vaca e de frango. Arroz e feijão, nem pensar. Vi só em um lugar a carne de foca, mas não tive vontade de experimentar. O tubarão podre que disseram que eles comem, também não vi em nenhum lugar. Em todo lugar, o prato é meio pequeno. Notei que as pessoas comem pouco e são magras.

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Flavio Spina

flavio_spina@yahoo.com.br

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