Underground Railroad: a Rota da Liberdade

artigo publicado em 19/12/2016



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A Underground Railroad Bicycicle Route (URBR) é uma ciclovia subterrânea com mais de 3.2km de extensão. A estrada liga diversas cidades dos Estados Unidos ao México e Canadá, principal terminal da ciclovia. Muito além disso, a Underground Railroad é considerada a “ciclovia da liberdade”, pois foi, durante o século XIX, a maior rota de fuga dos afro-americanos e indígenas escravizados nos Estados Unidos. Conheça a história por trás da ciclovia!

 

Pontos e extensão da rota

Mapa da Undergroung Railroad


Hoje, a Underground Railroad é uma das ciclovias mais visitadas entre o Canadá e os Estados Unidos. Enquanto pedalam pelo trajeto de mais de três quilômetros, os ciclistas vão conhecendo um pouco da história e de toda a memória embutida nesse caminho, com informações e pontos de interesse distribuídos do extremo sul dos Estados Unidos até Ohio, no Canadá.

Do lado norte-americano, o trajeto começa em Mobile, no Alabama – que era, no início do século XIX, um movimentado porto para escravagistas. Seguindo ao norte da rota, que pedalar pela Underground Railroad passará pelos vários rios ao longo do Alabama, Mississipi, Kentucky e Tennessee. Além disso, também encontramos inúmeros museus, parques históricos, centros de visitação e paisagens exuberantes por toda a extensão do trajeto.

Cruzando o caminho até Ohio (CA), a rota deixa os rios e chega ao sul do Canadá pelo Rio Niágara, sob a Peace Bridge (ou Ponte Internacional da Paz), que é a ponte internacional da fronteira Canadá-Estados Unidos. Em Ontário, a Underground Railroad segue até a costa do Lago Ontário e termina em Owen Sound, a cidade fundada por abolicionistas que buscavam liberdade.

Curiosidade: A Peace Bridge é uma das fronteiras de maior extensão retilínea do mundo e a maior fronteira terrestre. No total, são quase 9km de extensão!


Uma rota contra a escravidão
 

Monumento em Memória dos Fugitivos da Underground Railroad


Nos idos de 1800, a escravidão ainda era um “negócio” forte nos Estados Unidos. Povos afro-americanos e indígenas locais eram escravizados em fazendas de plantação e trocados ou vendidos em “feiras” como a que ocorria nos portos da Baía de Mobile, no Alabama.

A Underground Railroad era a rota usada pelos abolicionistas e povos escravizados para fugir das fazendas de plantações escravagistas. A maioria fugia para o norte do Canadá ou para algumas cidades do México.

Você pode imaginar o que isso quer dizer e quanto era difícil, pois um escravo que fugia assinava sua sentença de morte. Ou conseguia fugir ou morria pego pelos cães de caça e capachos dos senhores de fazenda. Fugir pela rota era sua última cartada. Mas outras pessoas, que apoiavam a abolição do regime, negras e brancas, apoiavam os fugitivos na rota.

Apesar do nome “Underground Railroad”, que em Português pode ser traduzido como “Ferrovia Subterrânea”, a rota não era literalmente uma linha férrea que passava por tuneis de terra. Na verdade, o nome se refere à resistência da luta desses fugitivos e abolicionistas: underground porque era algo subversivo, clandestino e que precisava ser feito de modo oculto; railroad por conta da terminologia utilizada para não serem descobertos, como “carregamento” para as pessoas fugitivas e “condutor” para quem liderava a fuga.

A rota era feita em partes (e por vezes) por trem ou barco, mas também costumavam fazer o trajeto a pé, em cavalos ou vagões, em grupos de 1 a 3 fugitivos. Havia grupos muito maiores, como é claro, chegando às vezes a ser de 15 a 20 fugitivos de uma só vez. Inclusive, há registros históricos de algumas fugas em massa, como o Pearl Incident (1848).

A estimativa é que mais de 100.000 pessoas tenham fugido da escravidão usando a rota Underground Railroad, embora os Estados Unidos ainda divulgue o número oficial de 6000 fugitivos.


Underground Railroad hoje para ciclismo e turismo

The Underground Railroad Bicycle Route - Créditos Rare DelightsCréditos: Rare Delights

A Underground Railroad Bycicle Route foi desenvolvida em 2007 pela Adventure Cycling Association em parceria com o Centro para a Saúde das Minorias (hoje chamado Centro pela Saúde Igualitária). Todo o percurso foi planejado para seguir a rede de rotas de fuga dos afro-americanos e ameríndios nos anos 1800.

Todo o caminho é densamente sinalizado com os pontos de interesse histórico, como os museus, parques e as chamadas “safe houses”, que eram casas de acolhimento utilizadas pelos fugitivos e abolicionistas quando faziam o percurso. Algumas das casas foram restauradas e os turistas podem pernoitar no espaço para conhecer mais sobre a história e visitar alguns artefatos e coleções de antiquarias da época. Se não é muito adepto da ideia, também existem vários parques de campismo para acampar em vários pontos da rota.

Além disso, também há diversos memoriais em homenagem às pessoas, eventos e estruturas importantes da época da Underground Railroad. Outros períodos e acontecimentos importantes da história negra nos Estados Unidos podem ser encontrados conforme a rota avança ao longo do rio Niágara. Uma delas é a placa no St. Catharine’s Park em homenagem a Harriet Tubman, considerada a “Moisés de Seu Povo”, uma das poucas mulheres negras que conseguiram fugir pela rota e que voltou várias vezes para ajudar outras mulheres.

Outros pontos de interesse são o Museu Nacional e Centro Cultural Afro-Americano, em Wilberforce, que conta a história e cultura negra para seus visitantes desde a origem até os dias atuais (o que inclui a música afro das suas raízes africanas até a música popular dos anos 50); o Oberllin College, um dos primeiros colégios norte-americanos a admitir alunos negros, e a Primeira Igreja de Oberlin, que serviu como uma espécie de quartel general para a Sociedade Anti-Escravidão de Oberlin, na cidade de Oberlin.

A última parada, imperdível para quem pedalar pelas densas memórias da Underground Railroad, é em Owen Sound. A última cidade da rota, no Canadá, era a estação final de grande parte dos fugitivos da escravidão. Como mencionado acima, foi fundada por abolicionistas e pessoas que fugiram em busca da liberdade. Muitas dessas pessoas se fixaram na aldeia originalmente chamada de Sydenham.

Desde 1862, a comunidade realiza anualmente o Piquenique da Emancipação – que hoje celebra dois grandes acontecimentos históricos: o Ato Britânico de Abolição da Escravidão, de 1834, e a Proclamação de Emancipação dos Estados Unidos, de 1863.

 

Viajar é bom, mas conhecer a história dos lugares que passamos definitivamente transborda a experiência! Se gostou de conhecer as origens da Underground Railroad, compartilhe o artigo com seus amigos e espalhe o conhecimento sobre a rota da liberdade!



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